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Perspetiva Semanal – AI, inflação, taxas de juro e tendências da economia global

Carolane de Palmas
October 09, 2026

Perspetiva Semanal –AI, inflação, taxas de juro e tendências da economia global

 

A semana ficou marcada por perspetivas divergentes para a economia global, sinais contraditórios na atividade industrial europeia e incerteza em torno das próximas decisões dos bancos centrais. O investimento em inteligência artificial continua a apoiar o comércio mundial, enquanto os riscos associados aos preços da energia, à dívida pública e às tensões geopolíticas permanecem no radar dos investidores.

 

Economia global: inteligência artificial impulsiona o comércio

 

A Organização Mundial do Comércio reviu em alta as suas previsões para o crescimento do comércio mundial de mercadorias, para 3,9% em 2026 e 4,1% em 2027. O investimento relacionado com a inteligência artificial tem sido um dos principais motores desta evolução, representando quase metade do crescimento do comércio de mercadorias na primeira metade do ano.

Em contrapartida, a previsão de crescimento do comércio de serviços foi revista em baixa, de 4,8% para 3,3%, devido às perturbações no turismo e nos transportes associadas ao conflito no Médio Oriente.

O Fundo Monetário Internacional alertou também para os riscos decorrentes dos choques energéticos, do aumento da dívida pública e do investimento em inteligência artificial. A instituição prevê que a dívida pública mundial ultrapasse 100% do PIB e assinala que os preços do petróleo poderão permanecer elevados até 2027.

 

Europa: recuperação industrial na Alemanha, mas persistem fragilidades

 

Na Alemanha, a produção industrial aumentou 2% em agosto, recuperando da queda registada em julho e superando as expectativas do mercado. No entanto, as encomendas industriais caíram 10,6%, muito acima da descida de 1% esperada, refletindo a fragilidade da procura industrial.

Em França, a incerteza política e orçamental continua a pressionar as perspetivas económicas. Na zona euro, as vendas a retalho cresceram 0,1% em agosto, após uma queda de 0,6% no mês anterior, embora o consumo continue moderado.

O economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, afirmou que o crescimento dos salários na zona euro não representa, para já, uma preocupação significativa em termos de inflação. Alertou, contudo, que os preços mais elevados da energia podem enfraquecer a procura e reduzir a necessidade de novas subidas das taxas de juro.

 

Estados Unidos: Reserva Federal dividida sobre as taxas de juro

 

Nos Estados Unidos, os responsáveis da Reserva Federal mantêm posições diferentes quanto à necessidade e ao momento de novas subidas das taxas de juro. Enquanto alguns defendem uma política monetária mais restritiva para controlar a inflação, outros consideram prudente aguardar por mais dados económicos.

O índice de preços dos serviços do ISM subiu para 74 em setembro, o nível mais elevado desde julho de 2022, refletindo a pressão dos custos dos combustíveis e das cadeias de abastecimento. Em contrapartida, o índice de atividade dos serviços recuou de 55,4 para 54,9 pontos, indicando uma expansão mais lenta.

No mercado de trabalho, os pedidos iniciais de subsídio de desemprego caíram para 197 mil na semana terminada a 3 de outubro, a quinta descida semanal consecutiva. Estes indicadores mantêm a atenção dos investidores centrada nos próximos dados de inflação e nas decisões da Reserva Federal.

 

Índia: subida da taxa de juro de referência

 

O banco central da Índia aumentou a taxa de referência em 0,25 pontos percentuais, para 5,50%. Esta foi a primeira subida em mais de três anos e acompanhou uma mudança na orientação da política monetária para uma abordagem de maior restrição gradual.

A decisão evidencia o desafio de controlar a inflação sem comprometer o crescimento económico, num contexto de custos energéticos elevados e incerteza geopolítica.

 

Mercados financeiros: Bovespa destaca-se entre os principais índices

 

Os principais índices bolsistas registaram movimentos moderados nos Estados Unidos, com o S&P 500 a subir 0,51% e o Nasdaq a recuar 0,09%. O Dow Jones terminou a semana praticamente inalterado, com uma descida de 0,02%.

Na Europa, o DAX 40 caiu 0,75%, enquanto o FTSE 100 avançou 0,13%.

O destaque da semana foi o índice brasileiro Bovespa, que valorizou 10,02%.

No Forex, o AUD/USD subiu 0,53%, enquanto o EUR/USD recuou 0,30%.

Nas matérias-primas, o petróleo Brent avançou 0,42% durante a semana e acumula uma valorização de 69,08% desde o início do ano. Já o petróleo WTI caiu 2,64% na semana, apesar de manter uma subida acumulada de 57,51% em 2026. O ouro registou uma ligeira valorização de 0,12%.

 

O que acompanhar na próxima semana?

 

A agenda económica será marcada por vários indicadores importantes para avaliar a evolução da inflação e da atividade económica:

  • 13 de outubro: dados sobre o mercado imobiliário dos Estados Unidos e divulgação das atas da reunião do banco central australiano.
  • 14 de outubro: inflação e balança comercial da China, bem como dados da inflação geral e subjacente dos Estados Unidos.
  • 15 de outubro: produto interno bruto do Reino Unido, índice de preços no produtor e vendas a retalho dos Estados Unidos.
  • 16 de outubro: discurso do governador do Banco de Inglaterra e dados da balança comercial da zona euro.

 

A época de resultados empresariais também ganha destaque, com a divulgação dos resultados de grandes instituições financeiras norte-americanas, incluindo Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Citigroup e Wells Fargo, além de empresas como Johnson & Johnson.

 

Os próximos dados económicos e os resultados empresariais poderão influenciar as expectativas em relação às taxas de juro e o sentimento dos investidores. 

 

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